Planejamento ou medo de errar?

Ultima atualização: 18.06.2026

Tem uma frase que eu ouço com frequência de líderes, de gestores, de pessoas que admiro e que claramente têm capacidade para mais. 

“Ainda não estou pronto.” 

Eu já disse isso também. Várias vezes. E aprendi, com o tempo e na prática, que essa frase merece mais atenção do que a gente costuma dar a ela. Porque nem sempre ela é 100% honesta. Às vezes ela é uma forma elegante de evitar algo que assusta mais do que parece: começar. 

Existe um ponto em que preparação deixa de ser evolução e vira adiamento. Você faz mais um curso, lê mais um livro, busca mais uma opinião. E continua sem começar. É quando a preparação virou um lugar confortável para ficar. Seguro e sem exposição. 

E aí eu tenho uma pergunta simples: qual é o prazo da sua preparação? 

Porque preparo de verdade tem prazo. Tem um objetivo claro, um ponto de chegada. Quando a janela do “preciso aprender mais” continua abrindo sem parar, pode ser a falta de coragem para dar o primeiro passo. Um planejamento “perfeito” pode ser um disfarce para não começar. 

Esse mesmo medo aparece de outro jeito nas empresas. E esse é mais difícil de enxergar, porque tem uma aparência muito respeitável. 

Chama-se planejamento. 

Olha, planejar é importante. Ninguém aqui está sendo contra planejamento. Mas existe uma diferença entre planejar para decidir melhor e planejar para não precisar decidir. A segunda opção parece responsável, mas pode ser medo bem-organizado. 

A gente revisa o plano, pede mais um relatório, marca mais uma reunião. E vai dizendo pra si mesmo que ainda não é a hora. Só que em algum momento o problema deixa de ser falta de informação e vira falta de decisão. 

Por isso, talvez o que alguns chamam de planejamento pode, no final das contas, ser covardia. Porque decidir expõe. Quem decide pode errar e muita gente prefere a segurança do planejamento à responsabilidade da escolha. 

E se a decisão é tomada e dá errado? Porque, em algum momento, vai dar errado. 

Aqui na Bernhoeft eu aprendi isso na prática, ao longo de trinta anos. A empresa não nasceu de uma planilha perfeita. Nasceu de uma decisão tomada com medo e tudo. Os melhores movimentos que fizemos não vieram quando tínhamos todas as respostas. Vieram quando decidimos avançar. 

Eu já abri empresa que não deu certo. Já tomei decisão que, olhando para trás, eu tomaria diferente. E por muito tempo eu também busquei a certeza, essa necessidade de ter garantia antes de agir. Só que não existe certeza. O que existe é a chance de acertar mais do que errar, e fazer cada erro virar combustível para o próximo passo. 

Eu aprendi que os erros não me definem.

O que realmente me define é o que eu faço com eles depois. Cada decisão errada que eu tomei me ensinou alguma coisa que eu uso até hoje. 

O erro não é o oposto do acerto. É parte do caminho até ele.

O que realmente custa caro não é decidir errado, é não decidir. É deixar a equipe esperando uma direção que não vem, deixar o projeto parado no meio do caminho, deixar a oportunidade passar enquanto se busca uma garantia que nunca vai chegar. Esse custo cresce em silêncio, porque ninguém coloca “indecisão” numa planilha. 

Preparação sem prazo, planejamento sem decisão, medo de errar disfarçado de cautela. No fundo, a pergunta é sempre a mesma: planejamento ou medo de errar? 

Nem sempre o maior risco está em decidir. Às vezes está em continuar esperando. Nenhum projeto importante começa quando a gente se sente totalmente pronto. Começa quando a gente decide avançar apesar da dúvida.  

Não deixe que o medo te paralise. Decida, assuma o risco de errar, corrija o que for possível corrigir e siga. 

A coragem vem antes do planejamento. Sempre. 

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Luiz Carlos Bernhoeft Jr.