Critérios ESG para fornecedores: o que sua empresa exige?

Ultima atualização: 01.04.2026

A agenda ESG deixou de ser um compromisso corporativo interno. Ela agora atravessa os muros da empresa e se estende por toda a cadeia de valor, inclusive, e especialmente, pelos fornecedores terceirizados. Para o gestor de terceiros, isso representa uma mudança profunda: não basta garantir que os parceiros cumpram obrigações trabalhistas e previdenciárias.

A pergunta que o mercado, os investidores e a regulação estão fazendo é outra: os seus fornecedores atendem aos critérios ESG que sua empresa declara seguir?

Essa não é uma questão filosófica. É uma questão de risco trabalhista, reputacional, ambiental, financeiro e agora também regulatório.

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Por que os critérios ESG para fornecedores se tornaram inegociáveis

Durante anos, a responsabilidade ESG foi tratada como um esforço interno: relatórios de sustentabilidade, políticas de diversidade, metas de redução de emissões. Mas esse modelo está se tornando insuficiente — e o mercado já sinaliza isso com clareza.

Segundo a Pesquisa Firjan ESG 2025, realizada com 130 empresas no Rio de Janeiro, 72% das organizações pesquisadas já exigem a adoção de critérios ESG dos seus fornecedores. Entre as multinacionais, esse percentual chega a 100%.

O dado revela uma assimetria importante: enquanto as empresas com atuação internacional já tratam os critérios ESG para fornecedores como requisito eliminatório de contratação, boa parte das empresas de atuação local ainda concentra seus esforços na estruturação interna da agenda — e não na exigência para a cadeia.

Isso cria um risco invisível. A empresa pode ter um relatório de sustentabilidade impecável e, ao mesmo tempo, manter contratos ativos com fornecedores que desrespeitam direitos trabalhistas, não têm controles ambientais ou operam sem qualquer política de integridade. Quando um incidente acontece, a responsabilidade não fica restrita ao terceiro — ela respinga diretamente na marca contratante.

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O novo contexto regulatório: ESG deixa de ser voluntário

Um segundo movimento torna esse debate ainda mais urgente: a regulação brasileira está se movendo rapidamente para tornar o reporte ESG obrigatório, e isso tem impacto direto sobre como as empresas precisam monitorar sua cadeia de fornecedores.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio da Resolução 193, determinou a adoção dos padrões internacionais IFRS S1 e S2 do ISSB para companhias abertas. O reporte de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, que era facultativo a partir de 2024, passa a ser obrigatório a partir de 2026. Com isso, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a adotar oficialmente esses padrões globais de reporte ESG.

O que isso significa na prática para a gestão de fornecedores? As normas do ISSB incluem a análise de riscos e oportunidades ao longo de toda a cadeia de valor, o que significa que uma empresa de capital aberto precisará ter visibilidade sobre o desempenho ambiental, social e de governança dos seus parceiros terceirizados para conseguir reportar com precisão.

De acordo com o levantamento da KPMG Survey of Sustainability Reporting 2024, 93% das grandes empresas brasileiras já publicam relatórios de sustentabilidade. O desafio que está sendo colocado agora não é mais publicar, é garantir que o que está sendo reportado reflita a realidade da cadeia como um todo.

Quais critérios ESG aplicar na gestão de fornecedores

A organização dos critérios ESG para fornecedores segue os três pilares da sigla. É importante tratar cada pilar de forma concreta, com critérios verificáveis — não apenas declarações de intenção.

Pilar Ambiental (E)

O pilar ambiental é, historicamente, o mais exigido na gestão de fornecedores. Os critérios mais relevantes incluem:

→  Gestão de resíduos e destinação adequada de materiais

→  Controle de emissões de gases de efeito estufa (especialmente Escopo 3, que inclui fornecedores)

→  Certificações ambientais — como ISO 14001 — e planos de descarbonização

→  Gestão eficiente de recursos hídricos e energéticos nas operações do terceiro

A relevância do Escopo 3 merece atenção especial: as emissões geradas pelos fornecedores de uma empresa entram no seu inventário de carbono. Ignorar esse ponto pode comprometer metas climáticas declaradas e o acesso a financiamentos sustentáveis.

Pilar Social (S)

O pilar social é o que mais se conecta diretamente à atuação da gestão de terceiros. Segundo a Pesquisa Firjan ESG 2023 [F1], os critérios sociais mais exigidos e considerados impeditivos para contratação de fornecedores são:

→  Combate ao trabalho infantil, forçado ou análogo ao escravo — o critério de maior peso como impeditivo de contratação

→  Gestão de saúde e segurança ocupacional — especialmente crítico em atividades de risco

→  Conformidade com legislação trabalhista e previdenciária

→  Políticas de diversidade, equidade e inclusão na operação do terceiro

→  Respeito aos direitos humanos ao longo da cadeia produtiva

O ponto crítico aqui é que esses critérios não podem ser apenas declarados no contrato. Eles precisam ser monitorados de forma contínua, com documentação, auditorias e indicadores que permitam identificar desvios antes que eles se tornem passivos.

Pilar de Governança (G)

A governança é o pilar que avança com mais velocidade entre as empresas mais maduras. Na Pesquisa Firjan ESG 2025 [F1], critérios de governança passaram a ocupar os cinco primeiros lugares entre os dez mais adotados internamente pelas companhias. Os critérios mais relevantes para exigir dos fornecedores são:

→  Existência de políticas anticorrupção e de conformidade com a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013)

→  Proteção e privacidade de dados — conformidade com a LGPD

→  Transparência nas relações com o poder público e ausência de conflitos de interesse

→  Integridade reputacional — ausência de envolvimento em processos de lavagem de dinheiro, fraudes ou sanções regulatórias

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Da exigência ao monitoramento: como aplicar critérios ESG na prática

Estabelecer uma lista de critérios ESG para fornecedores é o ponto de partida. O desafio real, e onde a maioria das empresas ainda falha, é transformar esses critérios em processos verificáveis e contínuos.

A lógica é simples e direta: se um critério não é monitorado, ele não existe na prática. Uma cláusula contratual sobre combate ao trabalho escravo, sem mecanismo de verificação periódica, é um documento — não um controle.

Uma estrutura eficaz de aplicação de critérios ESG para fornecedores percorre quatro etapas:

  1. Mapeamento e classificação por risco: nem todos os fornecedores representam o mesmo nível de exposição. Fornecedores de atividade-fim, que atuam nas instalações da empresa, com alto volume de mão de obra ou em setores de maior risco ambiental demandam critérios e frequência de monitoramento mais rigorosos.
  2. Homologação com critérios ESG integrados: a qualificação inicial do fornecedor já deve incluir a verificação dos pilares E, S e G, não apenas a regularidade fiscal e trabalhista.
  3. Monitoramento contínuo: conformidade não é um evento pontual. Vencimentos de certidões, auditorias periódicas, alertas sobre notícias negativas e atualizações cadastrais precisam compor um ciclo sistemático.
  4. Desenvolvimento da cadeia: a Pesquisa Firjan ESG 2025 [F1] aponta que 60% das empresas investem no desenvolvimento de fornecedores com baixo desempenho em ESG em vez de simplesmente descartá-los. Essa abordagem é mais sustentável e reduz riscos de ruptura operacional.

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Critérios ESG para fornecedores e a integração com a gestão de terceiros

O movimento que o mercado está vivendo em 2026 é claro: a gestão de terceiros e a agenda ESG deixaram de ser funções paralelas. Elas estão se integrando e as empresas que já entenderam isso saem na frente.

O relatório GRT Trends 2026, aponta que as práticas mais citadas entre as organizações mais maduras incluem auditorias que combinam riscos financeiros, reputacionais e socioambientais; due diligence ampliada para aspectos de integridade e sustentabilidade; e adoção de KPIs ESG integrados aos indicadores de gestão de terceiros.

Isso significa que o profissional de gestão de terceiros precisa dominar não apenas a legislação trabalhista e previdenciária, mas também o vocabulário, os critérios e os processos de verificação ESG. E a diretoria, por sua vez, precisa entender que esses dois temas não podem mais ser gerenciados em silos.

A pergunta que orienta essa integração é direta: se sua empresa precisa reportar seu desempenho ESG de forma auditável,  como exige a regulação da CVM a partir de 2026, ela tem as informações necessárias sobre o comportamento ambiental, social e de governança dos seus terceiros para fazer isso?

Para a maioria das organizações, a resposta honesta ainda é não. E é exatamente aí que a estruturação de um programa de gestão de terceiros com critérios ESG integrados deixa de ser uma boa prática e se torna uma necessidade de negócio.

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Sua cadeia de fornecedores está preparada para o que o mercado exige?

Aplicar critérios ESG para fornecedores de forma estruturada não é tarefa simples. Envolve processos, tecnologia, capacitação de equipes e, principalmente, comprometimento da liderança com uma gestão de terceiros que vai além da conformidade mínima.

O desafio maior, porém, não é técnico, é estratégico. É garantir que os critérios ESG que sua empresa declara ao mercado estejam, de fato, sendo monitorados e verificados na ponta da sua cadeia de valor.

Os especialistas da Bernhoeft atuam na estruturação de programas de gestão de terceiros com critérios ESG integrados, desde o mapeamento de risco até o monitoramento contínuo.

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